CARTA DO SR. JOBARD

Bruxelles, 22 de junho de 1858.


 

Meu caro colega,

Me perguntais, com espirituosas perífrases, se ousaria confessar publicamente minha crença nos Espíritos e nos Perispíritos, em vos autorizando publicarem minhas cartas, e em aceitando o título de correspondente da Academia do Espiritismo que fundastes, o que seria ter, como se disse, a coragem de sua opinião.

Estou um pouco humilhado, vos confesso, por vos ver empregar, comigo, as mesmas fórmulas e os mesmos discursos que com os tolos, quando deveis saber que toda a minha vida foi consagrada em sustentar a verdade, e em testemunhar em seu favor todas as vezes que a encontrava, seja em física, seja em metafísica. Sei que o papel do adepto das idéias novas não é sempre sem inconveniente, mesmo neste século de luzes, e que se pode ser ridicularizado por dizer que é dia em pleno meio-dia, porque o menos que se arrisca é ser tratado de louco; mas como a Terra gira e que o pleno meio-dia brilhará para cada um, será bem preciso que os incrédulos se rendam à evidência. É tão natural ouvir negar a existência dos Espíritos por aqueles que não o têm, quanto a existência da luz por aqueles que ainda estão privados dos seus raios. Pode-se comunicar com eles? Aí está toda a questão. Vede e observai.

O tolo nega sempre o que não pode compreender, Para ele o maravilhoso é despido de atrativo; Não sabe nada, não quer nada aprender Tal é, do incrédulo, um fiel retrato. Eu me disse: O homem, evidentemente, é duplo, uma vez que a morte o desdobra; enquanto uma metade fica neste mundo, a outra vai para alguma parte conservando a sua individualidade; portanto, o Espiritismo está perfeitamente de acordo com a Escritura, com o dogma, com a religião que crê de tal modo nos Espíritos que exorciza os maus e evoca os bons: o Vade retro e o Veni Creator são as prova disso; portanto, a evocação é uma coisa séria e não uma obra diabólica, ou uma charlatanice, como pensam alguns.

Sou curioso, não nego nada; mas quero ver. Nunca disse: Trazei-me o fenômeno, corri atrás dele, em lugar de esperá-lo em minha poltrona até que viesse, segundo um hábito ilógico. Fiz-me simplesmente este raciocínio, há mais de 40 anos, a propósito do Magnetismo: É impossível que homens muito respeitados escrevam milhares de volumes para me fazer crer na existência de uma coisa que não exista. Depois tentei muito tempo e em vão, enquanto não tinha a fé em obter o que procurava; mas fui bem recompensado pela minha perseverança, uma vez que cheguei a produzir todos os fenômenos dos quais ouvi falar, depois parei durante quinze anos. Tendo sobrevindo as mesas, quis vê-las de coração limpo; vem hoje o Espiritismo, e ajo do mesmo modo. Quando alguma coisa de nova aparecia, corria atrás dela com o mesmo ardor que me coloco para ir ao encontro das descobertas modernas de todos os gêneros; é a curiosidade que me arrasta, e lastimo os selvagens por não serem curiosos, o que faz que permaneçam selvagens: a curiosidade é mãe da instrução. Sei bem que esse ardor para aprender tem me prejudicado muito, e que se tivesse permanecido nessa respeitável mediocridade que conduz às honras e à fortuna, delas teria tido minha boa parte; mas, há muito tempo, eu me disse que não estava senão passando nesta má hospedaria onde não vale a pena fazer sua mala; o que me fez suportar, sem dor, os insultos, as injustiças, os roubos dos quais fui uma vítima privilegiada, foi essa idéia de que não há, neste mundo, uma felicidade nem uma infelicidade que valha a pena dela se alegrar ou dela se afligir. Trabalhei, trabalhei, trabalhei, o que me deu a força para fustigar meus adversários mais encarniçados, e manter o respeito dos outros, de modo que sou agora mais feliz e mais tranqüilo do que as pessoas que me furtaram uma herança de 20 milhões. Eu os lamento, porque não invejo seu lugar no mundo dos Espíritos. Se lamento essa fortuna, não é por mim: não tenho um estômago para comer 20 milhões, mas pelo bem que isso me impediu de fazer. Que alavanca nas mãos de um homem que soubesse empregá-la utilmente! Que estímulo poderia dar às ciências e ao progresso! Aqueles que têm a fortuna, freqüentemente, ignoram as verdadeiras alegrias que poderiam se proporcionar. Sabeis o que falta à ciência espírita para se propagar com rapidez? Falta um homem rico, que a ela consagrasse a sua fortuna, por puro devotamento, sem mistura com o orgulho e o egoísmo; que fizesse as coisas grandemente, sem parcimônia nem pequenez; um tal homem, faria a sociedade avançar meio século. Por que me tiraram os meios de fazê-lo? Ele será encontrado; alguma coisa mo diz; honra a ele!

Vi evocar uma pessoa viva; ela sentiu uma síncope até o retorno do seu Espírito. Evocai o meu, para ver o que vos direi. Evocai também o doutor Mure, falecido no Cairo no dia 4 de junho; era um grande espiritista e médico homeopata. Perguntai-lhe se crê ainda nos gnomos. Certamente, ele está em Júpiter, porque foi um grande Espírito, mesmo neste mundo, um verdadeiro profeta ensinando e meu melhor amigo. Estará contente com o artigo necrológico que lhe fiz?

Eis que está bem longo, me direis; mas não é tudo rosa o ter-me por correspondente. Vou ler vosso último livro, que recebi neste instante; ao primeiro olhar rápido, não duvido que faço muito bem destruindo uma multidão de prevenções, e que tendes mostrado o lado sério da coisa. - O assunto Badet está muito interessante; dele falaremos.

Todo vosso, JOBARD.


 

Qualquer comentário sobre essa carta seria supérfluo; cada um apreciará a sua importância e nela encontrará, sem dificuldade, essa profundidade e essa sagacidade que, unidas aos mais nobres pensamentos, conquistaram para o autor um lugar tão honroso entre os seus contemporâneos. Pode-se honrar-se por ser louco (a maneira pela qual o entendem nossos adversários), quando se tem tais companheiros de infortúnio.

A esta anotação do senhor Jobard: "Pode-se comunicar com os Espíritos? Aí está toda a questão; vede e observai", acrescentaremos: As comunicações com os seres do mundo invisível não são nem uma descoberta nem uma invenção do mundo moderno; elas foram praticadas desde a mais alta antigüidade, por homens que fo ram mestres em filosofia, dos quais se invoca, todos os dias, o nome como autoridade. Por que o que se passou então não poderia mais se produzir hoje?

Uma dúvida sobre a tiptologia

GEFE

O Espírito Puro pode produzir diretamente o ruído de batida no caso da tiptologia? Ou sempre precisa de um "batedor profissional"?

A dúvida surgiu a partir do estudo das seguintes passagens:

1ª.

Ao classificar os Espíritos, em fevereiro de 1858, Allan Kardec diz, quanto aos efeitos produzidos pelos batedores (então ainda inseridos na classe dos Levianos), que "todos os Espíritos podem produzir esses fenômenos, mas os Espíritos elevados os deixam, em geral, nas atribuições de Espíritos inferiores, mais aptos às coisas materiais do que às coisas inteligentes."

2ª.

Ao realizar questões a São Luis sobre as solidificações de Espíritos, em junho de 1858, temos esta seqüência:

"12. — São os Espíritos solidificados que levantam a mesa?

—Esta pergunta ainda não conduzirá ao ponto que desejais. Quando a mesa se move debaixo de vossas mãos, o Espírito evocado pelo vosso Espírito vai retirar do fluido universal aquilo com que há de animar essa mesa com uma vida factícia. Esses são SEMPRE produzidos por Espíritos inferiores, ainda não inteiramente desprendidos de seu fluido ou perispírito. Assim preparada à sua vontade, isto é, à vontade dos Espíritos batedores, o Espírito a atrai e a movimenta, sob a influência de seu próprio fluido, desprendido por sua vontade. Quando a massa que quer levantar ou mover lhe é demasiado pesada, ele chama em auxílio Espíritos que se acham em condições idênticas às dele. Penso que me expliquei com bastante clareza para ser compreendido.

13.— Os Espíritos chamados em seu auxílio são seus inferiores?

—Quase sempre são iguais. Freqüentemente vêm por si mesmos.

14.— Compreendemos que os Espíritos superiores não se ocupem de coisas que lhes são inferiores. Mas perguntamos se, pelo fato de serem desmaterializados, teriam o poder de o fazer, caso tivessem vontade?

—Têm a força moral, como os outros têm a força física, E quando necessitam desta, servem-se daqueles que a possuem. Não vos foi dito que eles se servem dos Espíritos inferiores como vos servis dos carregadores?"

Observação

Grifamos o SEMPRE, sabendo que São Luis está abordando o tema em um contexto específico, tratando de movimentação de mesas e não de "batidas", propriamente ditas. Mas aqui a dúvida se aprofundou no seguinte sentido: visto que são Espíritos batedores que movimentam a mesa, para as batidas, que são seu "ofício" também seriam SEMPRE eles?

3ª.

A seqüência citada acima reaparece em O Livro dos Médiuns com leves modificações (com cunho didático, acreditamos), no capítulo 4 da segunda parte. O capítulo trata Da Teoria das Manifestações Físicas, e no item XXII e XXIII lemos:

"Como faz o Espírito para bater? Serve-se de algum objeto material?

"Tanto quanto dos braços para levantar a mesa. Sabes perfeitamente que nenhum martelo tem o Espírito à sua disposição. Seu martelo é o fluido que, combinado, ele põe em ação, pela sua vontade, para mover ou bater. Quando move um objeto, a luz vos dá a percepção do movimento; quando bate, o ar vos traz o som."

Concebemos que seja assim, quando o Espírito bate num corpo duro; mas como pode fazer que se ouçam ruídos, ou sons articulados na massa instável do ar?

"Pois que é possível atuar sobre a matéria, tanto pode ele atuar sobre uma mesa, como sobre o ar. Quanto aos sons articulados, pode imitá-los, como o pode fazer com quaisquer outros ruídos."

4ª.

Revista Espírita, março de 1859:

"A faculdade de produzir efeitos físicos constitui uma categoria bem nítida, que raramente se alia às comunicações inteligentes, sobretudo às de elevado alcance. Sabese que os efeitos físicos são peculiares aos Espíritos de classes inferiores, Assim como entre nós a exibição de força aos trapezistas. Ora, os Espíritos batedores estão nessa classe inferior; agem o mais das vezes por conta própria, para divertirse ou vexar os outros, mas algumas vezes, POR ORDEM DOS ESPÍRITOS SUPERIORES, QUE DELES SE SERVEM, COMO NÓS DOS TRABALHADORES. Seria absurdo pensar que Espíritos superiores viessem divertirse em bater nas mesas ou fazêlas girar. ELES USAM TAIS MEIOS, DIZEMOS NÓS, ATRAVÉS DE INTERMEDIÁRIOS, QUER PARA CONVENCERNOS, QUER PARA COMUNICARSE CONOSCO, DESDE QUE NÃO DISPONHAMOS DE OUTROS MEIOS; mas os abandonam logo que possam agir de modo mais rápido, mais cômodo e mais direto, Assim como nós abandonamos o telégrafo aéreo desde que tivemos o telégrafo elétrico."


Revista Espírita, setembro de 1860:

"3.º — Carta do Dr. de Grand-Boulogne sobre as manifestações físicas como meio de convicção. Ele pensa que não seria certo considerar todos os Espíritos batedores como de uma ordem inferior, visto como ele próprio, através de batidas, obteve comunicações de ordem muito elevada.

O Sr. Allan Kardec responde que A TIPTOLOGIA É UM MEIO DE COMUNICAÇÃO COMO QUALQUER OUTRO E DO QUAL PODEM SERVIR-SE OS MAIS ELEVADOS ESPÍRITOS, quando não disponham de outro mais rápido. NEM TODOS OS ESPÍRITOS QUE SE COMUNICAM POR BATIDAS SÃO ESPÍRITOS BATEDORES E EM MAIORIA ELES REPUDIAM TAL CLASSIFICAÇÃO, QUE SÓ CONVÉM ÀQUELES QUE CHAMAMOS BATEDORES PROFISSIONAIS, ao bom senso repugna crer que Espíritos superiores venham passar o tempo divertindo uma reunião com exibição de habilidades."


Revista Espírita, fevereiro 1861:

"Aliás, não se deve confundir os Espíritos que se ocupam de efeitos físicos propriamente ditos, e que mais comumente são designados por Espíritos batedores, com aqueles que se comunicam POR MEIO DE BATIDAS. ESTE ÚLTIMO MEIO É UMA LINGUAGEM E PODE SER EMPREGADA COMO A ESCRITA POR ESPÍRITOS DE QUALQUER ORDEM."


Revista Espírita novembro 1862, FÁBULAS E POESIAS DIVERSAS POR UM ESPÍRITO BATEDOR:

"Posto que a tiptologia seja um meio muito lento de comunicação, com paciência é possível obter trabalhos de fôlego. O Sr. Joubert, de Carcassone, remeteu-nos uma coleção de fábulas e de poesias obtidas por ele através daquele processo. Se nem todas são obras-primas, com o que o Sr. Joubert não ficaria ofendido, pois que não entra no caso, algumas são admiráveis, de lado o interesse pela fonte de onde procedem.

Eis uma que, embora não participando da coleção, pode dar uma idéia do espírito daquele Espírito batedor. E dedicada à Sociedade Espírita de Bordeaux, pelo próprio Espírito.

O MONÓLOGO DO BURRICO

(...)

O MÉDIUM E O DR. IMBROGLIO

(...)

Uma observação sobre a qualificação dada ao Espírito que ditou as poesias a que nos referimos acima. Com razão OS ESPÍRITOS SÉRIOS REPELEM O QUALIFICATIVO DE BATEDORES: ESSE TÍTULO CONVÉM APENAS ÀQUELES QUE PODERIAM SER CHAMADOS BATEDORES PROFISSIONAIS: ESPÍRITOS LEVIANOS OU MALÉVOLOS, QUE SE SERVEM DE PANCADAS PARA DIVERTIR OU ATORMENTAR; as coisas sérias não os preocupam. MAS A TIPTOLOGIA É, COMO QUALQUER OUTRO, UM MEIO PARA COMUNICAÇÕES INTELIGENTES E DELA SE SERVEM OS ESPÍRITOS MAIS ADIANTADOS, em falta de outro meio, posto prefiram a escrita, porque responde melhor à rapidez do pensamento. É CERTO DIZER QUE, NESSE CASO, NÃO SÃO ELES QUE BATEM; LIMITAM-SE A TRANSMITIR IDÉIA, DEIXANDO A EXECUÇÃO MATERIAL A ESPÍRITOS SUBALTERNOS, como um estatuário deixa ao prático o trabalho de talhar o mármore."


Revista Espírita, junho de 1863:

"Sobre este capitulo faremos uma última observação. É sobre a qualificação de batedor, dada erradamente, em nossa opinião, ao Espírito que se comunica com o Sr. Jaubert. Tal qualificação não convém, como dissemos alhures, senão aos Espíritos que chamaríamos batedores de profissão e que pertenciam sempre, pela pouca elevação das idéias e conhecimentos, às categorias inferiores. Assim não seria com esse, que prova, ao mesmo tempo, a superioridade de suas qualidades morais e intelectuais. Para ele a tiptologia não é um divertimento: é um meio de transmissão do pensamento, do qual se serve por não ter encontrado no médium a faculdade necessária ao emprego de outro. Seu objetivo é sério, ao passo que o dos Espíritos batedores propriamente ditos é quase sempre fútil, quando não malévola. À QUALIFICAÇÃO DE ESPÍRITO BATEDOR, DESDE QUE PODE SER TOMADA EM MAU SENTIDO, PREFERIMOS A DE ESPÍRITO TIPTOR, TERMO QUE SE REFERE À LINGUAGEM TIPTOLÓGICA."

Parece-nos que,

O Espírito batedor usa da própria vontade para fazer ruídos.

O Espírito tiptor é um Espírito de ordem elevada que envia mensagens inteligentes por tiptologia.

Como o processo é demasiadamente material, Espíritos superiores servem-se de Espíritos batedores para as batidas propriamente ditas, pois estes são mais afeitos às manifestações materiais.

Quando Allan Kardec diz que "todos" podem usar da tiptologia, significa que os inferiores a utilizam diretamente e os superiores indiretamente.

Quando São Luis diz que "sempre" são Espíritos inferiores que realizam esses fenômenos, ele está se atendo ao aspecto material do processo, a cargo dos batedores e não aos que ditam as mensagens.

O caso do Sr. Jaubert apresenta um tiptor e um batedor, sendo o tiptor chamado de batedor por ser este termo mais usual.

Dito isso, vamos ao caso recolhido em Obras Póstumas, na segunda parte, quando trata das PREVISÕES REFERENTES AO ESPIRITISMO:

" 25 de março de 1856

(Em casa do Sr. Baudin; médium: Srta. Baudin)

MEU GUIA ESPIRITUAL

Morava eu, por essa época, na rua dos Mártires, nos 8, no segundo andar, ao fundo. Uma noite, estando no meu gabinete a trabalhar, pequenas pancadas se fizeram ouvir na parede que me separava do aposento vizinho. A princípio, nenhuma atenção lhes dei; como, porém, elas se repetissem mais fortes, mudando de lugar, procedi a uma exploração minuciosa dos dois lados da parede, escutei para verificar se provinham do outro pavimento e nada descobri.

O que havia de singular era que, de cada vez que eu me punha a investigar, o ruído cessava, para recomeçar logo que eu retomava o trabalho. Minha mulher entrou da rua por volta das dez horas; veio ao meu gabinete e, ouvindo as pancadas, me perguntou o que era. Não sei, respondi-lhe, há uma hora que isto dura. Investigamos juntos, sem melhor êxito. O ruído continuou até à meia-noite, quando fui deitar-me. No dia seguinte, como houvesse sessão em casa do Sr. Baudin, narrei o fato e pedi que mo explicassem.

Pergunta — Ouvistes, sem dúvida, o relato que acabo de fazer; poderíeis dizer-me QUAL A CAUSA DAQUELAS PANCADAS que se fizeram ouvir com tanta persistência?

Resposta — ERA o teu Espírito familiar.

P. — Com que fim FOI ELE BATER daquele modo?

R. — Queria comunicar-se contigo.

P. — Poderíeis dizer-me quem é ele?

R. — Podes perguntar-lhe a ele mesmo, pois que está aqui.

(...)

P. — Ontem, QUANDO BATESTE, estando eu a trabalhar, tinhas alguma coisa de particular a dizer-me?

(...)

Desde então, nenhuma outra manifestação do mesmo gênero das anteriores se produziu. Tendo-se tornado desnecessárias, por se acharem estabelecidas as minhas relações com o meu Espírito protetor, elas cessaram."

Segundo nossas anotações, o Espírito Verdade seria, nesse caso, um Espírito tiptor, (pois inegavelmente superior) utilizando-se de um Espírito batedor.

Os termos grifados apontam que ele era o responsável pelas batidas. No entanto o era por ordená-las, não por realizá-las materialmente.

E naquele ano talvez não fosse oportuno que o Verdade dissesse: "Na realidade não bati, mas ordenei que um Espírito (que mais tarde você classificará como batedor) o fizesse."

Toda a teoria sobre as manifestações físicas e a própria classificação dos Espíritos seriam construídas ao longo dos anos seguintes.

Desta forma reformulamos a questão:

NUNCA um Espírito puro pode ser responsável direto pelas batidas da tiptologia?